Sem medo


Minha adolescência inteira, desde que tive pela primeira vez o coração batendo mais forte por algum menino, é cheia de traumas, marcas e cicatrizes que ainda não se fecharam por completo. Acho que pela limitação de não poder de fato escolher com quem eu ia me relacionar, acabei caindo nas mãos de pessoas erradas, me machucando e algumas vezes em casa sendo julgada por coisas que não tinha feito. Isso fazia com que eu me sentisse suja, com medo. 
Penso que os pais também erram, não é porque eles têm mais experiência que nós, que sempre serão donos da razão. Mas sempre os respeitei e às vezes com o coração em pedaços, fingi que estava tudo bem e deixei de lado muitas coisas, oportunidades de ser feliz que talvez tivessem dado certo e os perdoei. Afinal, a gente deve honrar pai e mãe de todo coração e mesmo que apareçam mágoas ao longo do caminho, são os nossos pais talvez os únicos capazes de dar a vida por nós.
Mas eu cresci, e hoje tenho necessidade de fazer minhas escolhas, com os conselhos dos pais, amigos e familiares. Principalmente depois de tudo que passei no fim do ano passado. Mas é importante lembrar que preciso de conselhos e não de intimações. E tenho me sentido com tanta vontade de fazer isso, de agarrar cada oportunidade que meu coração diz sim seja no trabalho, no amor ou na minha espiritualidade, que meu medo de viver está passando. 
As coisas ultimamente têm dado tão certo, tenho vivido dias de sorte que não quero deixar passar... quero viver o que meu coração está pedindo. Ficar perto de quem faz meu coração acelerar, ir aos lugares que sempre quis ir, viver inteiramente em Deus, abraçar mais, deixar algo de bom no mundo para que as pessoas lembrem de mim, namorar, casar, ter filhos, fazer parte de um lar cheio de amor e nunca esquecer daqui até meu último dia na Terra que a gente tem que fazer a vida valer a pena. Mesmo que para que isso aconteça tenhamos que enfrentar dragões, escalar montanhas e atravessar rios. Uma hora tudo começa a fazer sentido, e você entende que viver nada mais é do que pegar uma caneta e escrever o melhor livro que você consiga.

"Ser jovem e não ser revolucionário
é uma contradição genética."
[Che Guevara]

"Ela não estava com frio nem com medo.
Sentia-se livre de tudo o que a atormentava
na Terra. Livre de perigo, livre de qualquer
dor que já sentira. Livre da gravidade. 
E tão apaixonada."

[Tormente - Lauren Kate]


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Voar


Ter me tornado mais resistente após certos dramas que passei, não sei se tem me feito bem ou mal. Acho que acabei tornando meu coração carrancudo demais para o sexo masculino. Sei lá, mas também pudera meus ex-namorados não colaboraram muito. O mais interessante é que todos eles se não estão noivos já casaram, fico feliz por eles. Afinal, já disse várias vezes que me alegro com a felicidade dos outros enquanto a minha não chega. De um dos ex sou até colega da esposa, a qual me deu muita força quando o Príncipe faleceu. E os outros, bom, os outros são os outros, tanto faz passarem por mim na rua como não, tornara-se pessoas comuns. Um eu até dei graças a Deus porque vai casar, pode ser que o coração dele  emane coisas boas agora, assim espero, porque a noiva é gente boa e merece ser feliz. Enfim, mas falar de ex não vem ao caso não é? 
Eu não sei o que se passa comigo, mas é que... bom, a forma como vivi minha história com o Cairo foi como  um recado de Deus dizendo: a partir de agora só aceite  caras com o caráter semelhante ao dele em seu coração e na sua vida. Aí comecei a me valorizar mais, e aí veio o problema, ou solução? Não quero uma cópia do Príncipe, claro que não! Até porque quero viver novas emoções, alguém que como diz uma música de Jorge&Mateus: " Toda vez que eu te encontro sinto os pés fora do chão, toda vez que eu te olho não consigo dizer não." E juro que estive bem perto disso, mas aí meu coração magoado e  minha família envolvida acabaram não concordando com isso. E por várias noites eu chorei, e ontem tive uma daquelas recaídas que doía cotovelo, coração e espírito sabe? 
Tentei esquecer, tentei fazer passar, mas não consegui, porque apesar de tudo, sei que no fundo alguma coisa naquele menino meche comigo, sabe o que é? Dar atenção e carinho sem esperar receber nada em troca. Coisa que passei a vida inteira fazendo e ninguém percebia. No dia que posso ter alguém assim,  tão parecido comigo, deixei passar, na verdade as circunstâncias me fizeram deixar passar. Mas ficaram ainda as músicas do Jorge&Mateus, a saudade, e as boas lembranças de alguém que tenho certeza, me faria muito feliz. 

"Você era pra mim , naquele instante, a novem que ia ficando distante.
A chuva que desaparecia na altitude. O silêncio em volta. 
A música que somente eu ouvia. A água que eu recusei. O óculos que recusei para
disfarçar a tristeza. A paisagem que eu preferi não ver pela pequena janela.
Você era a estrada que ia ficando ao longe, e eu a saudade em pessoa que ia
indo sem se entender. E eu queria ter sido um tanto mais... Poder 
um tanto mais. Você me viu voando? Sempre quis voar, sem amarras, 
sem paraquedas e essas parafernálias  que se precisa. Agora, voar seria solução.
E te ver de novo seria alegria, toda a alegria que durante  a noite e o dia me
faltou.  Se as cordas alcançassem o céu, se fossem maiores que os meus sonhos...
Tudo poderia se firmar. Tudo, como meu olhar e o seu repetidas vezes, para 
provar que te ver está entre as sete maravilhas do mundo. Você é, em todos
os instantes, a nuvem que eu enxergo, mesmo no céu claro."
[Camila Costa]

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