O respeito que mereço não depende da roupa que visto



Nem queria falar nada sobre esse lance de estupro por achar que não tenho conhecimento suficiente do assunto, mas sabe de uma coisa? Sou mulher, conheço sim os preconceitos que ainda existem, os perigos que nos rondam e acho que toda fala, escrita ou ajuda é válida. Graças a Deus nunca fui vítima de assédio sexual tão grave quanto um estupro, mas você não acha que existem diversos tipos de estupros? Sim, vários, inúmeros! Quantas meninas são estupradas emocionalmente todos os dias? Quantos olhares maliciosos passam por nós quando usamos uma saia mais curta? Quantos comentários e cantadas baratas já fomos obrigadas a ouvir? Quantas de nós já fomos agredidas por pessoas próximas? Tenho certeza que você homem ou mulher que está lendo esse texto lembrou de alguma situação que viveu ou presenciou não é verdade?
Infelizmente ainda vivemos em um país machista, em que se a mulher andar vestida em uma roupa curta ela é mal vista pela sociedade. Como se não bastasse agora vem essa de que  a mulher é a maior culpada se caso sofrer um estupro? Tenho certeza que eu não pediria ou facilitaria algo sujo, desrespeitoso e violento assim. Já aguentamos caladas muitas coisas, e acredito que se nos acusaram de facilitadoras de um crime tão hostil, devemos mostrar que aparência, gosto musical, cor nem condição social são motivos para aceitarmos qualquer coisa.
Já passei por situações muito desconfortáveis que não chegam aos pés de um estupro, mas que se eu não tivesse sofrido, com certeza não teria sito tão ferida emocionalmente. Vou dar alguns (poucos) exemplos do já que me aconteceu e sei que muitas meninas vão se identificar com alguma das situações. A primeira vez que me senti defraudada emocionalmente foi ouvir meu ex-namorado que vivia me traindo e me desrespeitando, falar palavrões horríveis e até levantar a mão para me bater simplesmente por eu ter usado uma saia curta, ou por não aceitar as traições dele. Depois de um tempo quando fui morar em outra cidade,  um professor começou a me cantar descaradamente, eu nunca dei abertura, mas tive que aguentar conviver com ele, tinha medo até de o encontrar pelo meu bairro, muitas vezes me escondi, tinha nojo até de olhar em seu rosto, e não era só comigo que ele tinha esse comportamento, algumas colegas de sala me relataram o mesmo. Além desses dois exemplos que me fizeram sentir muito mal, tinha um certo medo de alguns moradores e funcionários de lojas do bairro em que eu morava pelos comentários horríveis e os olhares maliciosos que me faziam sentir despida.
Aparentemente não relatei nenhuma situação grave e nem algo que tenha me deixado grandes sequelas realmente, mas me magoaram muito, tanto que não consegui esquecer. Agora pergunto: e uma mulher que já foi estuprada, que engravidou ou ainda contraiu DST's por causa disso? Como deve ser o psicológico delas? Meninas, está na hora de FALAR, GRITAR, seja o que for! Não vamos nos calar, e não importa se o assédio foi grande ou pequeno, ele não deixa de ser constrangedor. Calar só acumula mais dor. 

imagem: we heart it





Sobre ser profesora



Não nasci para ter uma vida normal, sempre me perguntei o porquê de tudo isso, e se realmente compensa ser assim. Quando criança sempre me achei um pouco mais madura que outras crianças que tinham a mesma idade, eu queria que na pré-escola meus coleguinhas respeitassem mais as professoras e certa vez fui até a frente da turma e disse: " Silêncio! Quando for hora de brincar a Tia vai dizer, agora é hora de estudar". Não lembro a reação deles, mas lembro que fiz, nem sei se me tornei uma chata na escola, mas pelo menos eles deixaram a Tia dar aula em paz.
Esse negócio todo de ser diferente nunca foi uma vontade minha, aconteceu naturalmente, mas para ser assim tive que me magoar muito nessa vida... Na adolescência apesar de ter sido tão ferida emocionalmente, nunca deixei minhas responsabilidades de lado, sempre procurei fazer tudo com muito capricho e dedicação, mas parecia impossível para que as pessoas entendessem quem eu era. Vivia rodeada de livros, antes que eles virassem modinha como agora (modinha muito boa por sinal), não entendia os preconceitos que a vida começava a me mostrar e queria fazer alguma coisa diferente, foi aí que eu decidi ser professora, uma revolução para os dias de hoje.
Quando eu decidi o que eu queria ser, e disse isso aos meus professores, ouvi muitos deles dizendo: NÃÃÃÃÃÃÃO! Em casa o susto foi um pouco menor porque de uma menina que vivia escrevendo, cheia de livros, e querendo ensinar tudo a todos, estranho seria outra escolha. Se bem que minha mãe queria muito que eu tivesse feito algo na área da saúde, mas enfim, ela acabou se acostumando. Meus professores buzinaram muito nos meus ouvidos dizendo que eu tinha capacidade para ser médica, advogada, engenheira, e etc. Mas fui firme na minha escolha, e fiquei indignada por eles não fazerem questão de defender o próprio trabalho.
O tempo passou, hoje sei que realmente fiz uma escolha difícil, mas amo tanto o que faço, que não consigo ainda entender o porquê de tantas pessoas acharem que ser professor é falta de opção, é vergonhoso. Certa vez um menino me perguntou: "Mas afinal de contas por que você quer ser professora?" e eu respondi: "Porque eu quero fazer a diferença, fazer alguma coisa que colabore com a vida das pessoas." então ele disse: "É, depois dessa não tenho argumentos, sempre soube que você era diferente."
 Não sei se sou uma boa professora, se realmente consigo mudar alguma coisa, mas é com essa vontade que levanto todos os dias... Professor realmente não ganha muito bem financeiramente, ganha muitos obstáculos e críticas, mas o que mais ganhamos são sorrisos sinceros e lembranças eternas no coração e mente de muitas pessoas.

Texto dedicado àqueles que não me proporcionaram apenas conhecimento de matérias escolares, mas me ensinaram a amar o que faço: Janieri Oliveira, Bia Rodrigues, Wander Nunes, Irlane, Socorro Reis e Aldeiza. 


"A principal meta da educação 
é criar homens que sejam 
capazes de fazer coisas novas."
(Jean Piaget)





Eight



Extremamente forte, mas extremamente delicada, essa é a melhor definição que consegui pensar para nós mulheres . Dois extremos, mundos, seres diferentes em um só. Fico pensando às vezes como é que a gente consegue fazer tantas coisas ao mesmo tempo e ainda arrumar um espacinho para reclamar das gordurinhas, celulites, cabelo, pele e etc. Me desculpem os homens que não concordam comigo, mas pela quantidade de coisas que temos que fazer, rugas, celulite e gordurinhas deveriam passar despercebidas diante de tanta garra.
Com o tempo a gente percebe que é capaz de fazer coisas que nem imaginava e ainda fazemos em sua maior parte bem feito. É aí que fica fácil de se irritar quando vem um homem e diz: " Ahhhh, mas eu sou homem, é diferente, você é mulher e não pode fazer tudo o que eu faço." Mas vem cá, por que mesmo não posso? Às vezes me acho tão feminista quanto a Megera Domada de Shakespeare, mas é que não consigo pensar em algo que nós mulheres não possamos fazer pelo simples motivo de sermos "femininas".
Entendi que não fazia muito sentido dizer que mulher não pode fazer isso ou aquilo, quando morei sozinha durante quase cinco anos. Aí sim como diz nossa querida Rita Lee, fui mais macho que muito homem! Aprendi que para abrir aquele pote de azeitonas, trocar lâmpadas, fazer pequenos consertos, entre muitas outras coisas, eu não precisava de um homem que fizesse por mim. Me tornei mais forte, também aprendi a me defender e deixei de lado o medo de andar sozinha em uma cidade grande. Enquanto isso, vi que muitos dos meus vizinhos precisavam sempre de uma mulher para ajudá-los com a organização da casa, roupas e comida. E eu ali caladinha fazia tudo só e ainda me sobrava tempo para viver em livrarias ou no cinema, fazer cursos e etc.
Uma prima minha vive dizendo que se eu não tivesse nascido mulher eu teria que dar um jeito de ser. Talvez ela fale isso por ver que diante de tantas dificuldades que já tive que enfrentar durante estes 22 anos, não deixei minha feminilidade nem sonhos morrerem. Além de tudo acredito que nós temos sim que defender a igualdade entre sexos, mostrar que somos capazes de muitas e muitas coisas e além disso capazes da coisa mais linda do mundo: podemos gerar uma nova vida!


Dedico a postagem de hoje às mamães do ano Elislândia, Ádila e Nadinne. Vocês têm me mostrado todos os dias a beleza maior de ser mulher, admiro suas histórias e amo cada uma de vocês. Que Deus abençoe mais e mais a gestação destes três Anjinhos que vão chegar.

" Ela tem força, ela tem sensibilidade,
ela é guerreira. Ela é uma deusa ela é
mulher de verdade."
[Ela vai voltar - Charlie Brown Jr.]

imagem: google imagens





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