O amor e a dor de ser professor


Nunca tive dúvidas do que escolhi ser, como o jornalista Alexandre Garcia certa vez falou, ser professor nem é profissão, é vocação! Desde criança gosto desse mundo da educação que para mim ainda é mágico, mas o que tenho percebido é que ao invés de melhorar, as coisas ficam mais complicadas a cada dia. 
Hoje, legalmente, começou a greve na educação do meu Estado e sabe, me corta o coração saber que meus colegas estão lutando pelos nossos direitos, por melhores condições de trabalho e eu aqui parada "sem fazer nada".
Não me lamento nem reclamo do que ganho, ainda moro com meus pais e não tenho filhos, mas sei que não é justo o tanto que ganho pelo tanto que trabalho. Professor, não tem hora para exercer a profissão, é uma espécie de mãe, pai, psicólogo, irmão, amigo, dentre outras dezenas de qualificações, e sinceramente não entendo o porquê de tanto desprezo pelo nosso trabalho aqui no Brasil.
Dia desses fiquei extremamente chateada e agradeci muito por não estar presente enquanto uma tia minha elogiava uma pessoa da família, que tem um salário maior, e dizia que "essa sim era gente, e não fulana que tem uma formaçãozinha fuleira". Pois é, a "fulana" à que minha tia se referiu é PROFESSORA, aliás, uma EXCELENTE professora. Me deu uma vontade de chorar e brigar ao mesmo tempo que depois agradeci por ter conseguido me controlar.
Sei que no Brasil a educação não é prioridade, e quando pensamos que as coisas estão melhorando: booooom! Estoura uma greve! O mais interessante é que somos exigidos até nossa última gota de suor, cobrados para que as aulas sejam dinâmicas, os diários estejam em dias, e mais, que nele as aulas estejam registradas como cartas direcionadas à Presidência da República, que tratemos os alunos, que não estão nem aí para nossas aulas, como celebridades, que façamos nosso trabalho calados como se não tivéssemos direitos e como se fôssemos subordinados de jovens que não estão nem um pouco a fim de aprender!
Apesar de tudo ainda vale a pena estar aqui, ainda vale a pena sonhar que a educação pode mudar o mundo, porque um ou outro aluno destoa do restante e nos faz lutar por ele. Nos  faz passar noites em claro como se fôssemos encontrar a cura para a AIDS, buscando uma maneira diferente de ensinar, e no fim vê-lo brilhando numa universidade sendo grato por cada professor que passou por sua vida.

"Ensinar é um exercício de imortalidade.
De alguma forma continuamos a viver
naqueles cujos olhos aprenderam  a ver 
o mundo pela magia da nossa palavra.
O professor, assim, não morre jamais."
[Rubem Alves]




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